STF e a Itália

O ativista/terrorista italiano Cesare Battisti foi libertado após decisão do pleno do STF. Não entendeu o tribunal a legitimidade da pretensão do governo italiano, entendendo ser a decisão, ainda, do presidente Lula eminentemente política.

Pois bem, não enxergo a questão que não seja pelo viés da retaliação. Depois da trapalhada da soltura do banqueiro Salvatore Cacciola em 2000, por decisão do ministro Marco Aurélio Mello, a Itália não procedeu à solicitação do governo brasileiro por sua extradição, sendo apenas em Mônaco satisfeito o pleito nacional.

A observação final é que inexplicavelmente o relator dessa última decisão, Gilmar Mendes, posicionou-se a favor da extradição do italiano.

Publicado em Política | Marcado com , | Deixe um comentário

Recortes cotidianos #8

Patrick Hora Alves, a primeira criança do Brasil a receber um coração artificial, faleceu. Lutou por 58 dias e morreu como um guerreiro. Torci muito por sua recuperação, rezei para que pudesse ter uma vida feliz. Infelizmente, ele não resistiu às consequências de uma pneumonia.

É a típica notícia que machuca nossa esperança, tão combalida pelo cotidiano. Esperamos o happy end, ansiamos pelo milagre… da dura realidade, resgatamos os destroços e construímos o espírito, mais uma vez. Temos quê! Possa papai-do-céu resgatar em seus pais a força necessária para essa reconstrução.

Publicado em Reflexões | Marcado com | Deixe um comentário

Inesquecível – Blade Runner

Procurando músicas de Vangelis pelo Youtube, lembrei-me de um filme primoroso: Blade Runner. Esse filme causou um certo desconforto quando o vi na infância, mas recentemente tive oportunidade de revê-lo. Tenho certeza que o tempo é o melhor tempero da memória, para trás ou para frente. Hoje, consigo saboreá-lo bem melhor. Quem ainda não viu, eis a sugestão.

A cena abaixo considero um clássico do cinema. Trata-se do diálogo final entre o androide Roy Batty (Rutger Hauer) e o caçador Rick Deckard (Harrison Ford). Hauer está fantástico no filme, explorando a tentativa de seu personagem de atingir a derradeira humanização.

I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time… like tears in rain… Time to die.

Publicado em Arte, Filmes | Marcado com | Deixe um comentário

Contardo Calligaris – Roda Viva (TV Brasil)

Nem sou muito chegado ao grego, mas ontem ele foi brilhante. Explico: indagado sobre a percepção da auto-imagem do brasileiro e reverberações nas imagens que o estrangeiro possui sobre nós, Calligaris é da opinião que houve uma melhora geral, motivando Marilia Gabriela a retornar ao tema das redes sociais, como forma de justificar uma quebra subjetiva nesta posição do psicanalista. Eis que Augusto Nunes se inflama e revela não só a peculiar forma de construir seus argumentos, transmitindo ao telespectador todo o seu desconforto em relação ao psicanalista, como também a ausência de instrumentos próprios para emergir da lama que o recobre, quando procura analisar aquilo que lhe escapa, que não lhe é nem um pouco caro, reforçando a mediocridade de seus recursos como jornalista. O resultado é uma elegante humilhação. Observe a partir do minuto 9:20.

Publicado em Psicanálise | Marcado com , | Deixe um comentário

José Dirceu – Roda Viva (TV Brasil)

O programa de ontem foi ótimo! José Dirceu foi corajoso de participar de um programa formado por jornalistas famosos por criticarem publicamente e sistematicamente o governo PT, tais como: Augusto Nunes (ele tem aquela carinha de nojentinho, não poderia ser diferente trabalhando para aquele esgoto de revista) e Guilherme Fiúza. Este último, surpreendeu-me com seu posicionamento sensato e inteligência para perguntar. Quanto a Nunes, acho que ele se afeta muito para que exerça sua profissão. Seu comportamento denuncia uma certa justiça cega e arrogância da certeza, que não existe. Ele se esquece apenas de que, calmo, conseguirá ir mais longe.

Esse tipo de entrevista, que mais pareceu interrogatório, é importante, apesar de sabermos que ocorre somente para um dos lados. O trabalho da imprensa, que está longe de ser livre (não por cerceamento, mas pelos interesses econômicos dos veículos de informação), é ainda assim imprescindível. É um dos meios de controle externo do grande poder que o governo detêm; um verdadeiro contrapeso social.

Quanto a José Dirceu, ele não percebe que representa atualmente o que o PT trouxe de ruim ao exercício do poder: quebra da ética de um partido historicamente ético. “Ah, mas ele ainda será julgado…” Sabemos que os fatos não são boatos, infelizmente. E na política, nem sempre todos os fatos chegam a ser apreciados pelo judiciário. A personalidade de Dirceu denuncia esta possibilidade. Perguntado incisivamente na entrevista, ele se mostrou astuto e rasteiro (Marília Gabriela chegou a afirmar: “Essa pergunta, ele responde no próximo bloco, porque ele vai dar voltas…). O verdadeiro político. Ele conhece como o poder funciona em seus mínimos detalhes. Não é à toa que Dirceu exerce a atividade de consultoria.

No cômputo geral, Dirceu se saiu muito bem. Acossado, ele procurou responder (mesmo com as voltas) a todas as perguntas. Mesmo as mais polêmicas. Em algumas outras, ele procurou dar mais ênfase, como na esdrúxula insistência Paulo Moreira em saber como ele ganhava a vida, como se sua indagação fosse completamente normal.

Enfim, o programa.

Publicado em Política | Marcado com , | Deixe um comentário

Recortes cotidianos #7

No último post, coloquei levantamento publicado no Estadão sobre a distribuição de votos do segundo turno, para a presidência, no RJ. Pois bem, comparando com os índices de IDH (renda, longevidade e educação), numa análise rasteira, podemos entender o porquê da escolha dos cariocas.

Serra ganha amplamente nas regiões com maior IDH. Ora, isso se explica pela concentração de renda, expectativa de vida e índice de educação, pela análise fria dos dados. Quem estuda mais, ganha mais e, por isso, vive mais. Será?

Não vejo assim. Acredito que quem se beneficia do sistema quer programas que beneficiem o sistema. O PSDB chegou a este patamar. Assim como o PT. Entretanto, o programa petista de governo contempla acesso à parte do sistema para a grande massa brasileira.

Essa é a leitura que faço. O voto na Dilma representa a esperança de inclusão. O voto tucano representa o interesse na exclusão.

Publicado em Política, Reflexões | Deixe um comentário

Dilma presidente

Somos todos responsáveis pelo sucesso do governo vindouro. Serão mais 4 anos de PT, seus projetos, sua prática cotidiana de exercício de poder, enfim. Não estamos diante da continuidade, mas daquilo que desejamos diante do fato histórico: a primeira mulher que levará a tradicional esquerda a mais tempo no poder do que qualquer outro partido, depois da reabertura.

Dado sobre distribuição de voto no RJ que representa os diferentes interesses em jogo.

Publicado em Política | Marcado com | Deixe um comentário